sexta-feira, 6 de março de 2009

A primária

A ida para a primária passou a ser tema diário de conversas entusiasmadas.

Está a contar ter pelo menos uma colega da escola com ela. Ficava mais à vontade, como costuma dizer. Mas isso é uma das coisas que não podemos garantir até saírem as listas, pois ambas as escolas possíveis terão mais do que uma turma de 1º ano.

Depois das férias do Natal, achei sinceramente que a angústia, o choro e o não querer ir à escola, podiam ser uma antecipação desse momento. Mudança de escola, de colegas, esse futuro do qual de repente toda (mas toda!) a gente começou a falar e a perguntar. (Já vais fazer seis anos! Já vais para a primária!)

Achei isso, pronto. Tinha lógica para mim, porque provavelmente me imaginei a sentir o mesmo. Lembro-me muito bem da minha angústia entre a escola primária e o ciclo.

Então evitei o assunto. Adiei. Passei os sinais errados.*
Esqueci-me que os miúdos vêem muito mais do que aquilo que lhes queremos mostrar e a maior segurança que lhes podemos dar é a da verdade.

Está inscrita.
Quer ir já amanhã comprar a mochila. Quer o Magalhães. E como vai ser o primeiro dia? E levo o lanche de casa? E conta mais! E como são as mesas? E as cadeiras? E sento-me ao lado de quem? Só preciso de saber onde é o quarto-de-banho!


*Não me perdoo. E só penso quantas vezes já terei feito isto. Por ver nela um reflexo de mim. Por ter dificuldade em ver nela alguém distinto de mim. Essa minha arrogância...
Quantas vezes já lhe terei condicionado os comportamentos ou escolhas por achar que lhe conheço a mente e o coração?

Tenho tanto a aprender...

5 comentários:

paula disse...

cada vez que te leio, não me canso de pensar que quero ser uma mãe assim, como tu, um dia quando tiver filhos.

Anónimo disse...

Oh...
Obrigada.

Mocas disse...

eu podia ter escrito isto. tb estou assustada com a primária (será só em set. 2010)

Mar disse...

Eu sinto muito isso. Que o condiciono com os meus medos e com a minha visão do mundo e das coisas.
Combato-o o máximo que posso. Procuro apresentar todas as situações que me parecem angustiantes de forma positiva. Tentar transmitir-lhe o lado bom.

A minha mãe escondia o que achava traumático. Sempre. E depois, quando as coisas aconteciam ou quando a verdade surgia era muito pior.

(tu és muito boa mãe)

Anónimo disse...

da parte da I não sinto ansiedade antecipada (seja receosa, seja entusiasmada). faz algumas perguntas mas acho que o facto de ter um grupo grande da sala que vai para a mesma sala, tranquiliza-os (e a educadora tem dado o devido relevo ao assunto...)

daquela conversa que tive com a coord. da futura escola, percebi o seguinte - um dos principais critérios para a constituição das turmas do 1º ano é assegurar que os grupos de meninos que vêm do mesmo Jardim não sejam separados.

(se calhar nao tens de lhe dizer isto, para evitar desilusões, mas tu poderÁs ficar mais tranquila com esta ideia... ;) )